Guia de interpretação de personagem

Posted: abril 1st, 2009 | Author: Tarmann | Filed under: RPG | Tags: | Comments
Seebo cantando uma gatinha na Taverna  do Rato Morto (Imagem: Kicking Back de *RalphHorsley)

Seebo cantando uma gatinha na Taverna do Rato Morto (Imagem: Kicking Back de *RalphHorsley)

Início de campanha/aventura, o mestre determina o nível inicial e os jogadores começam a bolar seus personagens. Os munchkins logo começam a criar seus combos mothafuckas, outros (poucos) começam a trabalhar em prelúdios elaborados e profundos e por fim os jogadores casuais abrem os livros básicos e montam um personagem que vai servir ao propósito de divertir por aquela, e quem sabe mais algumas sessões.

Mas quando a sessão começa e os personagens começam a aparecer é que surge aquela sensação de déjà vu. Quando um jogador cria seu personagem, por mais que ele seja completamente diferente do anterior, seja em raça, classe ou até viva em outro cenário, será o mesmo jogador que irá interpretá-lo e final das contas eles vão agir de forma muito parecidas, e é exatamente daí que vem a sensação.

Como ele agiria?

Uma forma de contornar isso é criar um pequeno guia de interpretação de personagem. Ai você pode pensar “carvalho! prelúdio já é um saco de se fazer, ainda vou ter que fazer a porcaria de um guia?!”. Não! Não é bem por ai, a coisa toda é bem simples.

Vou usar um exemplo de um personagem que criei ano passado para uma aventura que acabou não indo muito longe. A primeira coisa que fiz foi pensar em uma história do personagem, veja bem UMA história, não de onde ele veio ou como ele se tornou o que é hoje. Acabou ficando assim:

Seebo Peau

Apelidos: Sem noção, O Matador de Pulgas, Bisbilhoteiro, Sacola-cheia, Orelhudo.
Tendência: Caótico e Neutro.

Seebo sempre foi brincalhão, apesar de suas brincadeiras terem passado do limite algumas vezes. Esse gnomo não respeita autoridade e faz o que bem entender. Adora ouvir histórias e é fascinado por contos antigos de seu povo. Tem a péssima mania de se esconder em lugares estranhos para ouvir uma conversa. Dizem por ai que ele já passou uma semana inteira dentro de uma taverna ouvindo conversas e roubando pequenos bocados de comida para não precisar ir para casa comer.

Apesar de tudo ele é querido por seus conhecidos, pois sabem que ele tem bom coração. Seebo presenteia a todos que conhece de alguma forma, mas existem rumores que dizem que tudo o que ele dá foi roubado. O fato é que todos seus presentes são magníficos e exóticos e ninguém nunca reclamou ao receber um.

Um pouco mais baixo do que um gnomo costuma ser, tem cabelos negros e compridos presos por uma tira de couro. Está sempre vestido com roupas escuras, sendo o preto e o vinho suas cores favoritas. Usa uma capa negra como a noite e em momentos mais sociais usa um chapéu extravagante com uma pena negra que diz ser de um Grifo lendário, ninguém acredita é claro, mas todos fingem acreditar quando ele conta a história para agradar o velho amigo gnomo.

Essas são as linhas gerais do personagem, ficou um pouco longo porque acabei me empolgando com suas possibilidades em jogo. Bom, agora o próximo passo é definir algumas características que serão visiveis na interpretação:

  • Seebo é alegre e está sorrindo.
  • Uma vez por sessão oferecer um presente alguém, seja ele PJ ou PNJ.
  • De vez em quando fuçar nas coisas de algum PJ.
  • De vez en quando oferecer algo belo e caro para algum PNJ, mesmo que seja algo importante para o grupo. O grupo pode descobrir isso algum tempo depois, quando for complicado de recuperar o item.
  • Sempre que o grupo se encontra em alguma situação difícil ele comenta que já viveu uma situação parecida e conta uma história absurda.

Esse será o tempero inicial do personagem que pode evoluir conforme a campanha e o feedback da mesa. O interessante é mostrar o guia apenas para o mestre para que ele crie situações onde seu personagem possa se desenvolver e não para os outros jogadores para que seu personagem não se torne previsível.

Um cuidado a ser tomado é não se tornar repetitivo e não se tornar um mala na mesa. Use o guia moderadamente.

Feliz primeiro de abril!